terça-feira, 7 de julho de 2009

NO MONEY, NO HONEY ou TANTO TEMPO NA PIOR QUE O QUE PINTAR É UMA BOA. *

Segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..."
Esta era a minha situação ao fazer o programa vanguarda. Por interesse pessoal, contando com meu espírito cívico de levar 'cultura e informação' à população de Sergipe, ampliando o conhecimento musical desta gente. Dediquei parte do meu tempo sem remuneração alguma à produção e apresentação deste, que sem dúvida, foi o programa de rádio mais radical já ouvido nas terras sergipenses, que somou um total de 105 edições em 2 anos, e tocou coisas nada radiofônicas como 4:33 do John Cage ou 'andre sider af sonic youth' com seus 57 minutos de duração, sempre explanando rapidamente sobre as composições ou o compositor em questão. Além disso, o programa Vanguarda ainda servia de 'alto-falante' para diversos compositores contemporâneos brasileiros, divulgando as gravações de suas obras, incluindo gravações de estréias em primeira mão para os ouvintes do referido programa.
Muitas pessoas ficaram pasmas ao saber que em Sergipe, menor estado da federação, existia uma hora semanal dedicada à música moderna, contemporânea e experimental, e que eu não tinha nenhuma restrição (por parte da direção da rádio, nas duas gestões) com relação ao repertório, e nesses dias meu pagamento era saber que o programa era ouvido por muita gente, porém a Fundação Aperipê parece acreditar mais em voluntariado que investir nela mesma para manter uma programação de qualidade. Quase todos os programas da chamada 'faixa especial' que a emissora colocou no ar a partir da tal 'mudança' eram produzidos e apresentados por voluntários, que foram se extinguindo de acordo com a paciência de cada um: Primeiro foi o Claquete, depois o Avalanche. Dos voluntários, sobraram apenas o Clube do jazz e o Programa de Rock, com o desfalque de Fábio Snoozer (Programa de Rock, que a Fundação Aperipê tentou transfomar em programa de TV, foi feito um programa piloto e dirigido por este otário que vos escreve em parceria com Maíra Ezequiel, e engavetado pela FundAp. Inclusive não sei se existe o resultado final desta produção).
Minha paciência acabou, a paixão acabou e a labuta começara a se tornar um fardo. Se tornou desgastante ir à emissora, produzir o programa, e principalmente após a mudança de horário das 21 para as 23 horas. O amor que ja estava acabando acabou de vez. Me questionei várias vezes se extiguir o programa seria uma atitude arbitrária, mas quando você está numa jogada por conta própria, as soluções só podem obedecer à sua vontade. Agora posso viver as minhas noites de domingo pelo mesmo preço.

O programa se foi, mas o blog fica, agora abordando não só a música, como também Arte de um modo geral.

Aqui se inicia o segundo ciclo deste blog.


*(a frase "tanto tempo na pior que o que pintar é uma boa" é atribuída ao escritor Richard Fariña)